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Manutenção de carros elétricos e híbridos: o que muda e o que não muda

Um elétrico não faz mudanças de óleo. Continua a ter travões, pneus, suspensão, ar condicionado e uma bateria de 12 volts que ainda deixa gente a pé.

  • 6 min de leitura
Neste artigo 11 secções

A ideia de que um carro elétrico não precisa de nada é meia verdade e a metade errada sai cara. Desaparece uma parte grande da manutenção periódica. O que fica continua a fazer-se, e há coisas que passam a gastar-se mais depressa.

O que desaparece

Num elétrico puro não há óleo de motor, filtro de óleo, filtro de combustível, velas, correia de distribuição nem escape. É daí que vem a poupança real face a um carro a combustão.

Num híbrido o motor de combustão mantém-se, e com ele quase toda a manutenção habitual. Os intervalos podem ser mais espaçados porque o motor trabalha menos horas, mas o plano de manutenção continua a existir na íntegra.

O que continua igual

ItemCarro a combustãoElétrico
Óleo e filtro de óleoSimNão existe
Velas e filtro de combustívelSimNão existe
Correia de distribuiçãoSim, na maioriaNão existe
Pastilhas de travãoDesgaste normalDuram mais, mas os discos oxidam por pouco uso
PneusDesgaste normalGastam-se mais depressa, por peso e binário
Líquido de travõesPrazo próprioPrazo próprio, igual
Refrigeração da bateriaNão aplicávelCircuito próprio, com manutenção
Bateria de 12 voltsSimSim, e continua a deixar gente a pé
O que desaparece, o que fica e o que passa a exigir mais atenção.
  • Pneus: pressões, alinhamento, desgaste e rotação.
  • Suspensão e direção: amortecedores, rótulas, apoios e folgas.
  • Travões: pastilhas, discos e líquido de travões.
  • Ar condicionado e filtro de habitáculo.
  • Escovas, iluminação, vidros e limpa-vidros.
  • Inspeção periódica obrigatória, nos mesmos termos que qualquer outro veículo.

O que muda de comportamento

Travões que se usam pouco

A travagem regenerativa recupera energia ao desacelerar e faz a maior parte do trabalho de abrandamento. As pastilhas duram muito mais.

O problema é o oposto do habitual. Discos pouco usados e sujeitos a humidade oxidam à superfície, e essa camada não é limpa pela travagem porque a travagem quase não acontece. Aparece ruído, vibração, e em casos prolongados corrosão que obriga a substituir discos com pastilhas ainda novas.

A recomendação prática é simples: de vez em quando, num sítio seguro e sem trânsito atrás, faça algumas travagens mais firmes com o travão de serviço. Limpa os discos e mantém tudo a trabalhar.

Pneus sob mais esforço

Um elétrico é mais pesado do que um equivalente a combustão, e entrega binário máximo desde o repouso. As duas coisas somam-se no desgaste dos pneus.

Um alinhamento fora de especificação nota-se muito mais depressa. Vale a pena verificar pressões com regularidade e fazer alinhamento ao menor sinal de desgaste irregular, porque a fatura de pneus destes carros é maior.

Refrigeração que não existe nos outros

A bateria de tração e a eletrónica de potência têm circuitos de refrigeração próprios, com líquido e prazos de substituição definidos pelo fabricante. É manutenção que não tem equivalente num carro a combustão e que passa despercebida precisamente por isso.

Líquido de travões

Continua a absorver humidade com o tempo e mantém o seu prazo de substituição, independentemente de os travões serem pouco usados. Não se avalia pela quilometragem nem pelo estado das pastilhas.

A avaria que apanha mais gente

A bateria de 12 volts. Existe num elétrico, alimenta luzes, eletrónica e os sistemas que permitem ao carro acordar e fechar os contactores de alta tensão.

Se ficar sem carga, o veículo pode não ligar mesmo com a bateria de tração cheia. É uma das causas mais frequentes de imobilização nestes carros e surpreende quem assume que num elétrico não há bateria convencional. Escrevemos sobre o assunto no artigo sobre bateria descarregada, e nos elétricos aplica-se igual.

A bateria de tração degrada-se, não morre de repente

É a preocupação que domina as conversas sobre elétricos e a que menos corresponde ao que vemos na oficina.

As baterias perdem capacidade de forma gradual ao longo dos anos. Não deixam de funcionar, passam a armazenar menos. Um carro que fazia determinada autonomia fará menos alguns anos depois, e essa perda é progressiva e previsível.

Os fabricantes cobrem-nas por garantias próprias, definidas em anos e quilómetros e com um limiar mínimo de capacidade abaixo do qual a bateria é intervencionada. Confirme as condições concretas da garantia do seu veículo, porque variam entre marcas.

  • Carregamentos rápidos frequentes aquecem mais a bateria e aceleram a degradação. Use-os quando precisa, não por hábito.
  • Deixar o carro muito tempo com carga a cem por cento ou muito baixa não ajuda. Para uso diário, muitos fabricantes recomendam manter a carga numa faixa intermédia.
  • Calor extremo é pior para a bateria do que frio. O frio reduz a autonomia temporariamente, o calor degrada de forma permanente.

Carregamento, que também é manutenção

  • Verifique o cabo e as fichas com regularidade. Pontos queimados ou plástico deformado indicam mau contacto e aquecimento.
  • Mantenha a tampa e o conector do carro limpos e secos.
  • Se carrega em tomada doméstica, confirme que a instalação está dimensionada. Uma tomada normal em uso prolongado aquece.
  • Ruído anormal ou aquecimento excessivo durante o carregamento merece verificação.

O que pedir na revisão

  • Verificação do estado dos discos, e não apenas da espessura das pastilhas.
  • Análise do líquido de travões.
  • Teste da bateria de 12 volts, com aparelho e não só por tensão.
  • Alinhamento e pressões, com atenção ao desgaste irregular.
  • Substituição do filtro de habitáculo.
  • Verificação dos circuitos de refrigeração da bateria e da eletrónica.
  • Inspeção do cabo e do conector de carregamento.

Um elétrico dá menos trabalho, mas o trabalho que dá é diferente. Uma oficina que trate o carro como se fosse um carro a combustão sem óleo está a saltar metade da lista.

Perguntas frequentes

Quanto custa a manutenção de um carro elétrico?

Costuma ser inferior à de um equivalente a combustão, porque desaparecem óleo, filtros de combustível, velas e escape. Mas não é nula: pneus, travões, suspensão, filtro de habitáculo, líquido de travões e circuitos de refrigeração mantêm-se, e os pneus tendem a durar menos.

Quais são as avarias mais comuns em carros elétricos?

Na oficina, as mais frequentes são banais: bateria de 12 volts descarregada, desgaste de pneus e de suspensão, problemas de climatização e avarias em componentes de carregamento como cabos e tomadas. A bateria de tração é a peça de que toda a gente fala e a que menos vezes falha.

Um carro elétrico precisa de revisão?

Precisa. Não tem óleo de motor nem filtros de combustível, mas mantém travões, pneus, suspensão, direção, ar condicionado, filtro de habitáculo, líquido de travões e refrigeração da bateria e da eletrónica de potência.

Os travões duram mais num elétrico?

Em geral sim, porque a travagem regenerativa faz grande parte do trabalho de abrandamento. O efeito secundário é que os discos são pouco usados e podem oxidar, por isso a verificação passa a ser tanto sobre estado como sobre desgaste.

Os pneus gastam-se mais depressa?

Costumam gastar-se. O peso da bateria e a disponibilidade de binário desde o arranque aumentam o desgaste. Alinhamento e pressões passam a ter mais importância do que num carro a combustão equivalente.

Qual é a vida útil da bateria de tração?

As baterias degradam-se gradualmente em capacidade, e não de forma súbita. Os fabricantes cobrem-nas por garantias específicas, habitualmente longas e definidas em anos e quilómetros, com um limiar mínimo de capacidade. Confirme as condições concretas da garantia do seu veículo.

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