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Declaração amigável: como preencher, onde obter e o que fazer a seguir

O impresso é o mesmo em toda a Europa e demora dez minutos a preencher. Mal preenchido, pode atrasar a reparação do carro em semanas.

  • Atualizado 09/09/2026
  • 8 min de leitura
Neste artigo 20 secções

Passo a passo

  1. Garantir a segurançaLigue os quatro piscas, vista o colete antes de sair e sinalize com o triângulo.
  2. Fotografar antes de moverRegiste a posição dos veículos, os danos com a matrícula visível e a sinalização da via.
  3. Preencher a frente em conjuntoData, hora, local, feridos, testemunhas, dados dos dois veículos, circunstâncias e croqui.
  4. Contar as cruzesSome as circunstâncias assinaladas e escreva o total na casa do fim da coluna.
  5. Assinar e separarAssinem os dois e cada condutor fica com um exemplar, ambos com o mesmo valor.
  6. Preencher o verso sozinhoCada condutor preenche a sua parte de trás depois, e entrega-a à sua seguradora.
  7. Participar dentro do prazoEntregue à seguradora dentro do prazo da apólice, habitualmente oito dias.

A declaração amigável de acidente automóvel é o impresso azul e amarelo que os dois condutores preenchem juntos depois de um choque. É igual em toda a Europa, tem duas folhas autocopiativas e demora cerca de dez minutos a preencher com calma.

Vemos as consequências de um impresso mal preenchido todas as semanas. Não é a reparação que fica mais cara. É o tempo: um número de apólice trocado ou um croqui sem setas pode transformar duas semanas de processo em seis.

Onde obter o impresso

Há três caminhos e qualquer um serve.

  • A sua seguradora entrega o impresso com a apólice. Se já não o tem, peça outro. É gratuito.
  • A Associação Portuguesa de Seguradores disponibiliza o formulário oficial em PDF para descarregar e imprimir.
  • A aplicação e-SEGURNET, também da Associação Portuguesa de Seguradores, faz a participação eletrónica no local e dispensa o papel.

Se optar pelo papel, guarde um exemplar no porta-luvas em vez de o deixar em casa. Serve de pouco na gaveta da cozinha.

Antes de escrever seja o que for

  • Ponha o colete, sinalize com o triângulo e ligue os quatro piscas.
  • Fotografe os carros na posição em que ficaram, antes de os tirar da estrada.
  • Fotografe os danos de perto e de longe, com a matrícula a aparecer.
  • Fotografe a via, a sinalização e as marcas no piso.
  • Peça o contacto de quem viu o acidente.

As fotografias resolvem discussões que o impresso não resolve. Se mais tarde houver dúvida sobre quem estava onde, são elas que decidem.

A frente, campo a campo

A frente é conjunta. Preenche-se uma vez, com os dois condutores presentes, e vale para os dois. A coluna da esquerda é o veículo A, a da direita o veículo B, e o miolo do meio é partilhado.

Data, hora e local

Escreva a morada com detalhe suficiente para alguém encontrar o sítio. “Rua 1.º de Maio, junto ao número 7, Prior Velho” chega. “Prior Velho” não chega. Se for numa rotunda ou num cruzamento, diga qual.

Feridos e danos materiais

Há dois campos fáceis de ignorar no topo. Um pergunta se houve feridos, mesmo ligeiros. Outro pergunta se houve danos em veículos que não o A e o B, ou em objetos. Responda aos dois. Se houve feridos, chame as autoridades e não se limite ao impresso.

Testemunhas

Nome, morada e telefone. Uma testemunha só conta se for possível contactá-la depois.

Segurado, veículo, seguradora e condutor

São quatro blocos por cada lado, e são o sítio onde nascem quase todos os atrasos. Copie os dados diretamente dos documentos, não de memória:

  • Segurado: quem consta na apólice.
  • Veículo: marca, modelo e matrícula, do documento único automóvel.
  • Seguradora: nome, número de apólice e validade da carta verde.
  • Condutor: quem ia ao volante, com o número e a validade da carta de condução.

O tomador do seguro, o dono do carro e o condutor podem ser três pessoas diferentes. É normal e está previsto no impresso. Preencha os campos com os dados de cada um.

Circunstâncias

É a grelha de quadrados no meio da folha, com dezassete hipóteses de cada lado. Marque só as que correspondem ao que aconteceu, conte quantas cruzes fez e escreva esse número na casa do fim da coluna.

Cruzes a mais são pior do que cruzes a menos. Se marcar cinco quando duas descrevem o acidente, está a dar margem de interpretação a quem vai decidir.

O ponto de embate e os danos visíveis

Há um desenho de um carro visto de vários ângulos. Marque com uma seta onde foi o primeiro embate. No campo ao lado, escreva os danos que consegue ver, com nomes concretos: “para-choques frontal, farol direito e guarda-lamas” diz alguma coisa, “frente danificada” não diz nada.

O croqui

Desenhe a via, os dois carros, as setas do sentido de marcha e a sinalização que existia. Não precisa de saber desenhar. Precisa que se perceba quem vinha de onde. É a primeira coisa que o perito olha quando abre o processo.

Observações e assinaturas

Use as observações para o que a grelha não cobre: piso molhado, obras, visibilidade, se o outro carro estava parado. Escreva factos. Depois assinem os dois e separem as folhas. Cada condutor fica com um exemplar e os dois têm o mesmo valor.

A parte de trás preenche-se sozinho

É a parte que mais gente ignora, e é uma das perguntas mais feitas sobre este impresso. O verso não é conjunto. Cada condutor preenche o seu, depois, com calma, e entrega-o à sua seguradora.

É onde descreve o acidente por palavras suas, sem o limite da grelha de circunstâncias. Também é onde indica se o veículo ainda circula, onde pode ser observado para peritagem e se houve feridos ou testemunhas.

Não precisa da assinatura do outro condutor no verso. Se ele lhe pedir para assinar a parte de trás dele, não é obrigado.

Fazer tudo pelo telemóvel

A e-SEGURNET é a aplicação da Associação Portuguesa de Seguradores para participação eletrónica de sinistros. Os dois condutores fazem a participação no local, com os dados a seguirem diretamente para as seguradoras.

Funciona bem quando os dois têm a aplicação e bateria no telemóvel. Não é razão para deitar fora o impresso de papel: continue a levar um no carro, porque a versão digital depende de rede, de bateria e da colaboração do outro condutor.

Prazos

A generalidade das apólices dá oito dias para participar o sinistro à seguradora. É a participação que abre o processo e permite marcar a peritagem.

Vale a pena entregar antes do prazo. A reparação não começa antes da peritagem, e a peritagem não é marcada antes da participação. Cada dia parado nesta fase é um dia a mais sem carro.

Quando corre mal

O outro condutor não quer preencher

Não o pode obrigar. Registe a matrícula, a marca e a cor do outro veículo, fotografe tudo, incluindo o carro dele e a posição em que ficaram, e recolha contactos de testemunhas. Depois participe o sinistro só com a sua versão. O processo avança, mas com averiguação e mais devagar.

Discordam sobre o que aconteceu

Preencham na mesma. A declaração amigável não obriga os dois a concordar: obriga os dois a registar. Cada condutor marca as circunstâncias que descrevem a sua versão, e pode escrever a discordância no campo das observações. Quem decide são as seguradoras.

Percebeu depois que se enganou

Não rasure a folha assinada. Explique por escrito à sua seguradora, junto com as fotografias que tirou. Uma correção fundamentada vale mais do que um impresso emendado.

Os erros que vemos chegar à oficina

ErroO que provoca
Número de apólice errado ou ilegívelA seguradora não identifica o contrato e o processo fica parado
Croqui sem setas de sentido de marchaO perito não consegue determinar quem vinha de onde
Total de cruzes que não bate certoA versão perde credibilidade e obriga a averiguação
Danos descritos de forma vagaO perito pede informação outra vez, o que acrescenta dias
Verso em brancoAtrasa a marcação da peritagem
Só um exemplar preenchidoUm dos condutores fica sem prova do que foi registado
Os cinco erros que mais atrasam a abertura do processo.

Estes são os que atrasam trabalho, por ordem de frequência:

  • Número de apólice errado ou ilegível, o que impede a seguradora de identificar o contrato.
  • Croqui sem setas de sentido de marcha, que torna o desenho inútil.
  • Número de cruzes que não bate certo com as marcadas.
  • Danos descritos de forma vaga, o que faz o perito pedir informação outra vez.
  • Só um exemplar preenchido, ficando um dos condutores sem cópia.
  • Verso em branco, o que atrasa a marcação da peritagem.

O que acontece depois

A ordem é sempre a mesma: participação, peritagem, autorização, reparação. O perito avalia os danos, define o que está coberto e estima o custo. Só depois disso é que o trabalho começa.

Uma coisa que vale a pena saber, porque nem sempre é dita: a escolha da oficina é do dono do carro. A seguradora pode sugerir uma rede, e é normal que sugira, mas a decisão é sua. Pode levar o carro à oficina em que confia e pedir que a peritagem seja feita lá.

Guarde a declaração, a participação, o relatório de peritagem e a fatura final. É o conjunto que prova o que foi feito, e conta se um dia vender o carro.

Perguntas frequentes

Como obter a declaração amigável?

Tem três formas. A seguradora entrega o impresso quando faz o contrato, e pode pedir outro a qualquer momento. Pode descarregar o PDF no site da Associação Portuguesa de Seguradores. Ou pode dispensar o papel e usar a aplicação e-SEGURNET, que faz a participação eletrónica.

Quantos dias tenho para entregar a declaração amigável?

A generalidade das apólices dá oito dias a contar da data do acidente para participar o sinistro. Entregue antes disso se puder. A peritagem só é marcada depois da participação, e a reparação só avança depois da peritagem.

É possível preencher a declaração amigável online?

Sim. A aplicação e-SEGURNET, da Associação Portuguesa de Seguradores, permite fazer a participação eletrónica do sinistro com os dois condutores no local. Substitui o impresso em papel e envia a informação diretamente às seguradoras.

Sou obrigado a preencher a declaração amigável?

Não é obrigatório por lei. Mas sem ela cada condutor apresenta a sua versão em separado, e o processo passa a depender de averiguação. Na prática, é o documento que faz o processo andar depressa.

Como se preenche a parte de trás?

A parte de trás não é conjunta. Cada condutor preenche a sua, sozinho, depois de os carros se separarem. É onde descreve o acidente por palavras suas, indica se houve feridos, se há testemunhas e onde o veículo pode ser observado. Não precisa da assinatura do outro condutor.

O carro pode estar em nome de uma pessoa e o seguro em nome de outra?

Pode. O tomador do seguro nem sempre é o proprietário, e o condutor no momento do acidente pode ser um terceiro. O impresso tem campos separados para as três figuras. Preencha os três com os dados corretos, mesmo que coincidam.

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